segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

“SONO PROFUNDO - ENTREVISTA COM RAVENGAR”


 Jesus Cristo foi crucificado por uma injustiça.


Eu sou Raimundo e Ravengar, repórter free lance e individual da tribuna dos condenados da Penitenciária Lemos Brito de Salvador.

Venho através do meu “sono profundo” que me dão poderes extraterrestres por uma entidade sideral que me guia a entrevistar qualquer ser vivo, como também os que já foram para o além.

Todas as perguntas feitas por mim estão amparadas no art.° 5 da lei que tomba o Estado Democrático de Direito.

O Senhor responderá aquilo que lhe convir, tanto sim como não.

Como símbolo da minha primeira pergunta:

Raimundão: Esse nome Ravengar no qual você criou uma fama exorbitante foi um sósia tirado da novela “que rei sou eu?

Ravengar: Em partes, porque jamais imaginaria que esse apelido fosse chegar ao extremo, e nem muito menos ao ator da novela.

Por meu cabelo ser parecido com o do referido ator, o pintor que colocava o nome no meu mercadinho optou por Ravengar. Uma ilustração do autor.

Raimundão: Antes de você se envolver com drogas qual era a sua fórmula de sustentação?

Ravengar: Eu fui autônomo, desde a adolescência sempre me virei nos “trinta. ”  Limpar carneiras, lavador de carros, baleiro, vendedor de frutas, picolés, borracheiro, taxista e arrecadador de jogo do bicho.

Quando arranjei família o tempo me obrigou a tomar responsabilidade, tendo em vista que crianças não tem hora marcada para beber um copo com leite.

Raimundão: Isso foi um dos motivos para você entrar como titular na venda de entorpecentes?

Ravengar: Titular não, ninguém nasce sabendo. Na venda de drogas é igual a qualquer outra profissão. Primeiro vai se lapidando aos poucos, e gerenciando essa negociata até se chegar ao topo.

Vou dar um exemplo: Pablo Escobar, a máfia Italiana, El Chapo, Cartel de Medelín, os gangsteres Americanos, a Yakuzas entre tantas outras organizações criminosas cuja seu patrono maior chegou ao topo subindo de degrau a degrau, e passaram a serem titulares dos arquivos policiais.

Raimundão:  E você chegou a qual escala nessa numerologia criminosa de 1 a 10?

Ravengar: Sou forçado a rir, porque passei do “vapozeiro” à “mula” depois “correria” o cara que vende a granel, e finalmente a boqueiro. Tudo movido pela carreira solo.

Nunca me envolvi em tráfico internacional ou cartel ou organização criminosa ou facção. Por isso é que eu discordo de muitos que me auto titulam de um grande traficante. A história está aí, e os anais dela provam o que é ser um traficante de escala maior.

Raimundão:  O Senhor já foi um homem rico?

Ravengar:  Rico não, eu poderia estar bem de vida, com carros importados, mansões e uma boa conta bancária se não fosse a destreza do meu coração que optou em doar 80% do que ganhei aos pobres.

Raimundão: há um ditado provocado pela polícia que diz que todo traficante costuma fazer esses bons atos para calar a comunidade.

Ravengar:  existe duas vertentes nesse volume de compra e venda no calar através das armas ou impondo um respeito que pertence ao Estado. Eu Ravengar, doutrinei um serviço social com consultas médicas, creches de crianças e idosos, como também outros serviços de longo alcance que beneficiava outras comunidades que vinham em busca de socorro.

Raimundão:  isso não é ser um líder negativo?

Ravengar:  posso até concordar com a sua pergunta, às vezes involuntariamente você acaba atropelando a lei, pensando que está fazendo uma grande obra. Até que eu me enganei em partes, pois achava que estaria fazendo um grande benefício ajudando os pobres pela ausência do Estado. Mas, de tanto ver fluir o poder nas mãos dos maus e subtraíram o dinheiro da educação da moradia e saúde, segurança e o povo passando fome, me espelho na frase do jurista Rui Barbosa que diz: “Eu tenho vergonha de ser honesto! ”

Raimundão:  O que foi que mudou na linha do tráfico de 20 anos atrás?

Ravengar:  Veja bem meu caro repórter, a droga que alavanca toda essa vertente é antiga, tem mais de 10.000 mil anos que já se conhecia e no século XI e aprimorada pelos chineses no século XV, já a cocaína passou a ser uma droga alucinógena desde 1832 fabricada pelo químico alemão Albert Niemann. Desde essa época que essas drogas são consumidas até os dias atuais. Portanto se aparecer um cavaleiro da “Távola redonda” dizendo que vai acabar, ele é mentiroso, os americanos tinham essa diplomacia agendada nos arquivos futuros do FBI, mas quando Osama Bin Laden derrubou as torres gêmeas, o Tio Sam percebeu que o buraco era muito mais embaixo. Assim mesmo será em qualquer país que gasta bilhões de dólares para tirar o pó do nariz dos viciados é porque o Estado Islâmico com seu terrorismo fanático e assassino não se fez presente, tendo em vista que só matam inocentes.

Raimundão:  O tráfico não é culpado pela onda de violência estabelecido na cidade onde a sociedade culpa os traficantes de provocar esses conflitos?

Ravengar:  Não é bem assim não, boa parte dos “muristas” que invocam essa opinião, porque abriu-se um leque muito grande nessa questão das drogas. Como também é fato que os maiores carregamentos desses entorpecentes são movidos por pessoas de um “quilate” muito maior do que se imagina. E quando chega na cidade os flanelinhas são os que levam a culpa, porque vende a sociedade temperada como um todo.

Raimundão:  E as mortes, e os filhos que são viciados e roubam tudo dentro de casa para usarem entorpecentes?

Ravengar:  Veja bem, antigamente o conceito de se vender drogas pertencia justamente a quem vendia drogas, hoje mudou esse perfil, porque se chega ao presídio acusado de outro delito e pela força das circunstâncias de não poder estar mais praticando um outro crime qualquer, aí por opção a pessoa é obrigado a se envolver no mundo das drogas. Piorou de forma patente foi o surgimento das facções pois cada uma tem o seu domínio próprio.  Do outro lado, os pais de fato é que proporcionam a morte dos filhos de direito, tendo em vista que são agraciados com a famosa “mesada. ” Com o dinheiro na mão essa juventude tem um caminho a seguir, as baladas da noite, e geralmente nas baladas o que é que se encontram? Bebidas, mulheres e o consumo exagerado de drogas, cuja os filhos chegam pela manhã duros. O resto é tudo hipocrisia.

Raimundão:  E essas drogas que a polícia diz que vem da Colômbia, do Peru, tem procedência?

Ravengar:  Como eu disse anteriormente, a minha meta em vender drogas não passou das redondezas que beira nossa orla marítima, que dirás me envolver com organizações estrangeiras.

Raimundão:  Porque que a imprensa lhe transformou em um “cavaleiro da agonia” nas crônicas policiais?

Ravengar: Lamentavelmente, os meios de comunicação com a era cibernética mudaram em muito os seus conceitos, tendo em vista que a miséria advinda dos fatos que viraram notícias é um bom negócio para manter uma audiência salutar. E os programas sociais ficaram para trás, porque não rendem o esperado nas redações dessas empresas.

Raimundão:  você se sente um injustiçado nas rodas que a imprensa faz girar?

Ravengar:  eu não tenho nada contra ao ser humano que escreve matérias jornalísticas, mas algumas mentiras corporativistas provocadas por muitos profissionais deletam o coração de quem está acusado. Mesmo porque ditam nos seus computadores aquilo que chega através da internet. E uma letra põe uma pessoa no calabouço e a palavra mata, porque o jornalista tem o direito livre de informação de imprensa, já o profissional tem o direito de informação de empresa. São dois mundos com opiniões diferentes.

Raimundão:  O senhor é considerado como um grande traficante aqui na Bahia. Qual foi a maior quantidade de drogas que a polícia flagrou com a sua pessoa?

Ravengar:  eu respeito a instituição policial, por ser a mantenedora da ordem pública.  Mas dentro do meu cabedal de estudos que procurei fazer em relação a todas as polícias existentes na face da terra, desde os soldados do império romano, ao faraó Tutankhamon, a guarda de Pilatos que prendeu Jesus Cristo, passando pela temível Gestapo, e até os dias de hoje, essas instituições foram e são movidas por seres humanos, e seres humanos são propícios a erros. E eu nunca ouvi ou li em nenhuma literatura o perdão expressado por essas instituições, porque seus membros nunca pediram desculpas por um erro cometido. Preferem deixar um inocente cair no abismo. Não sou eu quem digo, são os anais da história.

Leiam mais na segunda parte.

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