Jesus Cristo foi crucificado por uma injustiça.
Eu sou
Raimundo e Ravengar, repórter free lance e individual da tribuna dos condenados
da Penitenciária Lemos Brito de Salvador.
Venho
através do meu “sono profundo” que me dão poderes extraterrestres por uma
entidade sideral que me guia a entrevistar qualquer ser vivo, como também os
que já foram para o além.
Todas
as perguntas feitas por mim estão amparadas no art.° 5 da lei que tomba o
Estado Democrático de Direito.
O
Senhor responderá aquilo que lhe convir, tanto sim como não.
Como
símbolo da minha primeira pergunta:
Raimundão:
Esse nome Ravengar no qual você criou uma fama exorbitante foi um sósia tirado
da novela “que rei sou eu?
Ravengar:
Em partes, porque jamais imaginaria que esse apelido fosse chegar ao extremo, e
nem muito menos ao ator da novela.
Por
meu cabelo ser parecido com o do referido ator, o pintor que colocava o nome no
meu mercadinho optou por Ravengar. Uma ilustração do autor.
Raimundão:
Antes de você se envolver com drogas qual era a sua fórmula de sustentação?
Ravengar:
Eu fui autônomo, desde a adolescência sempre me virei nos “trinta. ”
Limpar carneiras, lavador de carros, baleiro, vendedor de frutas, picolés,
borracheiro, taxista e arrecadador de jogo do bicho.
Quando
arranjei família o tempo me obrigou a tomar responsabilidade, tendo em vista
que crianças não tem hora marcada para beber um copo com leite.
Raimundão:
Isso foi um dos motivos para você entrar como titular na venda de
entorpecentes?
Ravengar:
Titular não, ninguém nasce sabendo. Na venda de drogas é igual a qualquer outra
profissão. Primeiro vai se lapidando aos poucos, e gerenciando essa negociata
até se chegar ao topo.
Vou
dar um exemplo: Pablo Escobar, a máfia Italiana, El Chapo, Cartel de Medelín, os
gangsteres Americanos, a Yakuzas entre tantas outras organizações criminosas
cuja seu patrono maior chegou ao topo subindo de degrau a degrau, e passaram a
serem titulares dos arquivos policiais.
Raimundão:
E você chegou a qual escala nessa numerologia criminosa de 1 a 10?
Ravengar:
Sou forçado a rir, porque passei do “vapozeiro” à “mula” depois “correria” o
cara que vende a granel, e finalmente a boqueiro. Tudo movido pela carreira
solo.
Nunca
me envolvi em tráfico internacional ou cartel ou organização criminosa ou
facção. Por isso é que eu discordo de muitos que me auto titulam de um grande
traficante. A história está aí, e os anais dela provam o que é ser um
traficante de escala maior.
Raimundão:
O Senhor já foi um homem rico?
Ravengar:
Rico não, eu poderia estar bem de vida, com carros importados, mansões e
uma boa conta bancária se não fosse a destreza do meu coração que optou em doar
80% do que ganhei aos pobres.
Raimundão:
há um ditado provocado pela polícia que diz que todo traficante costuma fazer
esses bons atos para calar a comunidade.
Ravengar:
existe duas vertentes nesse volume de compra e venda no calar através das
armas ou impondo um respeito que pertence ao Estado. Eu Ravengar, doutrinei um
serviço social com consultas médicas, creches de crianças e idosos, como também
outros serviços de longo alcance que beneficiava outras comunidades que vinham
em busca de socorro.
Raimundão:
isso não é ser um líder negativo?
Ravengar:
posso até concordar com a sua pergunta, às vezes involuntariamente você
acaba atropelando a lei, pensando que está fazendo uma grande obra. Até que eu
me enganei em partes, pois achava que estaria fazendo um grande benefício
ajudando os pobres pela ausência do Estado. Mas, de tanto ver fluir o poder nas
mãos dos maus e subtraíram o dinheiro da educação da moradia e saúde, segurança
e o povo passando fome, me espelho na frase do jurista Rui Barbosa que diz: “Eu
tenho vergonha de ser honesto! ”
Raimundão:
O que foi que mudou na linha do tráfico de 20 anos atrás?
Ravengar:
Veja bem meu caro repórter, a droga que alavanca toda essa vertente é
antiga, tem mais de 10.000 mil anos que já se conhecia e no século XI e
aprimorada pelos chineses no século XV, já a cocaína passou a ser uma droga
alucinógena desde 1832 fabricada pelo químico alemão Albert Niemann. Desde essa
época que essas drogas são consumidas até os dias atuais. Portanto se aparecer
um cavaleiro da “Távola redonda” dizendo que vai acabar, ele é mentiroso, os
americanos tinham essa diplomacia agendada nos arquivos futuros do FBI, mas
quando Osama Bin Laden derrubou as torres gêmeas, o Tio Sam percebeu que o
buraco era muito mais embaixo. Assim mesmo será em qualquer país que gasta
bilhões de dólares para tirar o pó do nariz dos viciados é porque o Estado
Islâmico com seu terrorismo fanático e assassino não se fez presente, tendo em
vista que só matam inocentes.
Raimundão:
O tráfico não é culpado pela onda de violência estabelecido na cidade
onde a sociedade culpa os traficantes de provocar esses conflitos?
Ravengar:
Não é bem assim não, boa parte dos “muristas” que invocam essa opinião,
porque abriu-se um leque muito grande nessa questão das drogas. Como também é
fato que os maiores carregamentos desses entorpecentes são movidos por pessoas
de um “quilate” muito maior do que se imagina. E quando chega na cidade os
flanelinhas são os que levam a culpa, porque vende a sociedade temperada como
um todo.
Raimundão:
E as mortes, e os filhos que são viciados e roubam tudo dentro de casa
para usarem entorpecentes?
Ravengar:
Veja bem, antigamente o conceito de se vender drogas pertencia justamente
a quem vendia drogas, hoje mudou esse perfil, porque se chega ao presídio
acusado de outro delito e pela força das circunstâncias de não poder estar mais
praticando um outro crime qualquer, aí por opção a pessoa é obrigado a se
envolver no mundo das drogas. Piorou de forma patente foi o surgimento das
facções pois cada uma tem o seu domínio próprio. Do outro lado, os pais
de fato é que proporcionam a morte dos filhos de direito, tendo em vista que
são agraciados com a famosa “mesada. ” Com o dinheiro na mão essa juventude tem
um caminho a seguir, as baladas da noite, e geralmente nas baladas o que é que
se encontram? Bebidas, mulheres e o consumo exagerado de drogas, cuja os filhos
chegam pela manhã duros. O resto é tudo hipocrisia.
Raimundão:
E essas drogas que a polícia diz que vem da Colômbia, do Peru, tem
procedência?
Ravengar:
Como eu disse anteriormente, a minha meta em vender drogas não passou das
redondezas que beira nossa orla marítima, que dirás me envolver com
organizações estrangeiras.
Raimundão:
Porque que a imprensa lhe transformou em um “cavaleiro da agonia” nas
crônicas policiais?
Ravengar:
Lamentavelmente, os meios de comunicação com a era cibernética mudaram em muito
os seus conceitos, tendo em vista que a miséria advinda dos fatos que viraram
notícias é um bom negócio para manter uma audiência salutar. E os programas
sociais ficaram para trás, porque não rendem o esperado nas redações dessas
empresas.
Raimundão:
você se sente um injustiçado nas rodas que a imprensa faz girar?
Ravengar:
eu não tenho nada contra ao ser humano que escreve matérias jornalísticas,
mas algumas mentiras corporativistas provocadas por muitos profissionais
deletam o coração de quem está acusado. Mesmo porque ditam nos seus
computadores aquilo que chega através da internet. E uma letra põe uma pessoa
no calabouço e a palavra mata, porque o jornalista tem o direito livre de
informação de imprensa, já o profissional tem o direito de informação de
empresa. São dois mundos com opiniões diferentes.
Raimundão:
O senhor é considerado como um grande traficante aqui na Bahia. Qual foi
a maior quantidade de drogas que a polícia flagrou com a sua pessoa?
Ravengar:
eu respeito a instituição policial, por ser a mantenedora da ordem
pública. Mas dentro do meu cabedal de estudos que procurei fazer em
relação a todas as polícias existentes na face da terra, desde os soldados do
império romano, ao faraó Tutankhamon, a guarda de Pilatos que prendeu Jesus
Cristo, passando pela temível Gestapo, e até os dias de hoje, essas
instituições foram e são movidas por seres humanos, e seres humanos são
propícios a erros. E eu nunca ouvi ou li em nenhuma literatura o perdão
expressado por essas instituições, porque seus membros nunca pediram desculpas
por um erro cometido. Preferem deixar um inocente cair no abismo. Não sou eu
quem digo, são os anais da história.
Leiam
mais na segunda parte.

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